Como preparar a reforma em diferentes fases da vida

O Diário Económico pediu a três bancos a sugestão de carteiras de fundos de investimento para a reforma adequadas a diferentes perfis de risco e fases da vida.

Garantir uma "reforma dourada" após longos anos de trabalho, sempre foi um dos principais sonhos de qualquer português. Mas se até alguns anos assegurar uma reforma tranquila era relativamente pacífico, hoje a situação é bastante distinta. A razão para tal é fácil de explicar: o valor das reformas é cada menor. Um fenómeno que se sente desde a introdução, em 2007, das novas regras da Segurança Social para o cálculo do valor das pensões de reforma e com o recente aumento para 66 anos da idade da reforma. 

Um estudo apresentado pela Optimize, gestora de activos especializada em produtos para a reforma, mostra o impacto dessas medidas sobre o valor médio das pensões de reforma a pagar pela Segurança Social nas próximas décadas. De acordo com simulações da gestora, estas deverão passar dos 82% do valor do último salário líquido, em 2006, para apenas cerca de 56%, no caso de um jovem de 25 anos que entre agora no mercado de trabalho e se reforme aos 66 anos. Por isso, encontrar alternativas que permitam maximizar a poupança para a reforma mais do que uma vantagem constitui uma necessidade.

Apesar dos portugueses já estarem mais conscientes dessa realidade, o certo é que tendem a adiar a decisão de poupança. Uma opção contraproducente segundo os especialistas. "Deixar para mais tarde a poupança é problemático porque já não se consegue apanhar o comboio e o grau de poupança já não é tão sustentável", alerta Diogo Teixeira, Director Geral da Optimize.

Ao longo de muitos anos, os Planos Poupança Reforma (PPR) foram uma das formas de poupança para a reforma mais popular entre os portugueses. No entanto, as alterações impostas pelo Orçamento do Estado de 2011 que veio limitar a um tecto máximo de 100 euros os benefícios fiscais totais retirou parte da atractividade deste produto. Além dos PPR e dos Certificados de Reforma do Estado, existem ainda fundos de ciclo de vida, seguros ‘unit linked', fundos de pensões abertos, os novos Certificados do Tesouro Poupança Mais ou fundos de investimento.

Foi precisamente nesta última categoria de produtos financeiros que o Diário Económico se centrou. Além de estarem disponíveis a partir de quantias baixas, os fundos de investimento permitem investir num vasto leque de activos, adaptáveis a diferentes perfis de risco e fases da vida. Por isso, o Diário Económico pediu a três bancos ‘online' - ActivoBank, o Banco Best e o Banco BiG - que compusessem nove carteiras de investimento de acordo com alguns critérios. A cada banco foi pedido que, com base num determinado período de tempo de distância até à idade de reforma, construíssem três carteiras assumindo perfis de investidor distintos: conservador, equilibrado e agressivo. Nas carteiras solicitadas ao BiG, distavam apenas cinco anos até que o investidor atingisse a idade da reforma , enquanto no caso do ActivoBank, faltavam 10 anos. Ao Best coube compor a carteira com a distância mais alargada até à idade da reforma : 20 anos (ver caixas).

Para Rui Castro Pacheco, responsável pela gestão de activos do Banco Best, à partida não existe nenhuma predefinição sobre que activos devem ser evitados na composição de uma carteira vocacionada para a reforma e que devem ser apenas evitados instrumentos com alavancagem ou activos de reduzida liquidez. Mas o ActivoBank lembra que "para um investidor que se encontre a 20 anos da reforma, será adequada uma maior exposição ao mercado accionista desde que esteja confortável com esta alocação, beneficiando do maior potencial de valorização a longo prazo". À medida que o investidor se vai aproximando da idade da reforma a postura deverá mudar.

"Este deve reduzir a exposição ao mercado accionista por forma a passar, numa primeira fase, para uma estratégia prudente quando falta cerca de seis anos para idade da reforma e posteriormente dois a três anos antes da reforma assumir uma postura conservadora com uma exposição reduzida ao mercado accionista", recomenda a mesma instituição. As carteira disponibilizadas pelos três bancos permitem verificar isso mesmo. Por exemplo, na carteira conservadora para quem dista cinco anos da reforma, proposta pelo BiG, 4 é o risco máximo apresentado e por um fundo que pesa apenas 7,5% na carteira. Na proposta conservadora do Best, 27,5% dos activos da carteira conservadora são encaminhados para produtos com risco de 5 ou 6. A principal diferença é que neste último caso distam 20 anos até à idade da reforma. Avalie abaixo a estratégia que melhor se adequa ao seu perfil de poupança para a reforma.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 21:51 | comentar | favorito