CGA. Valor médio das pensões abaixo de mil euros pela primeira vez

O valor médio das novas reformas de velhice atribuídas pela Caixa Geral de Aposentações em agosto e setembro ficou pela primeira vez abaixo do patamar dos mil euros. O Ministério das Finanças atribui esta situação ao facto de naqueles dois meses ter sido incluído "um número muito elevado" de pensões unificadas, em que parte é paga pelo Centro Nacional de Pensões. Mas mesmo retirando este efeito, a pensão média está a cair, refletindo as medidas que têm sido introduzidas nos últimos anos.

Em agosto, a CGA passou a pagar 3085 novas pensões de reforma por velhice nas quais se incluem 1564 unificadas, ou seja, que resultam da carreira contributiva de quem trabalhou no sector privado e fez descontos para a segurança social antes de entrar na função pública. A conjugação do cálculo das duas pensões resultou num valor médio de 669 euros. No mês seguinte, 1203 do total de 2739 reformas atribuídas eram também unificadas o que, afirmou ao DN/Dinheiro Vivo fonte oficial do Ministério das Finanças, influenciou "significativamente a pensão média dos abonos novos" de setembro. De acordo com os dados disponibilizados pela Direção Geral do Orçamento, o valor médio da pensão foi de 737 euros nesse mês.

Não há registo de um valor tão baixo desde que esta informação passou a ser mensalmente disponibilizada (em 2009). Mas também nunca antes se tinham observado números mensais tão elevados de pensões unificadas. Em média, nos últimos cinco anos a CGA contabilizou a atribuição de cerca de duas mil desta pensões por ano.

Retirando o efeito das unificadas verifica-se, ainda assim, uma tendência para a descida dos montantes abonados. Naqueles dois meses, o valor médio das pensões pagas unicamente pela CGA (porque dizem respeito a pessoas que fizeram toda a sua carreira contributiva na administração pública), foi de 1140 euros e 1135 euros. Ao longo de todo o ano de 2014, apenas em julho há registo de um montante mais baixo. E a comparação com os anos anteriores mostra também que a tendência é de descida: em 2013, o valor médio rondou os 1302 euros e nos anos anteriores tinha superado os 1200 euros.

Para o economista Eugénio Rosa, isto reflete, sem qualquer sombra de dúvida, as mudanças que nos últimos anos foram sendo introduzidas no Estatuto da Aposentação, sobretudo o fator de sustentabilidade de 12,34% que passou a ser aplicado a todos os pedidos de reforma que deram entrada do dia 1 de janeiro em diante. A isto, há ainda a somar a penalização média de 6% por cada ano de saída para a reforma antes da idade legal para o fazer (66 anos). Apesar de não haver dados recentes sobre o número de pedidos de reforma antecipada, sabe-se que em 2013 estes casos representaram pela primeira vez mais de metade dos pedidos.

Há ainda uma terceira causa influenciar as pensões da CGA e que tem a ver com no facto de a parcela mais relevante dos que se estão a reformar ter deixado de corresponder a 89% do salário de 2005, revalorizado, para passar a representar 80%.

 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 21:10 | comentar | favorito