Capucho revoltado com "confisco" nas pensões

António Capucho, antigo conselheiro de Estado, sente revolta quando vê que o Governo se prepara para cortar as pensões com efeitos retroactivos e fala mesmo em “confisco”.

O social-democrata não se revê nas opções políticas que os dirigentes do partido que ajudou a fundar estão a tomar e deixou isso bem claro no colóquio organizado, em Lisboa, pela Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (Apre!).

“O que se afigura mais grave em toda esta acção persecutória é a ligeireza com que o Governo e a maioria que o suporta se propõem espezinhar os princípios da protecção da confiança e da legalidade que são pilares essenciais da nossa organização democrática e do regime constitucional. A pretendida retroactividade das leis, especialmente neste domínio, é uma arbitrariedade simplesmente revoltante e inaceitável e representaria um verdadeiro confisco. Deixar isto passar seria escancarar as portas e abrir um precedente de consequências inimagináveis”, disse.

António Capucho confessou que ainda tinha alguma esperança na intervenção do Presidente da República para que este enviasse o Orçamento do Estado ao Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva, mas já a perdeu.

Capucho classificou como escandalosas as pressões que se abatem sobre os juízes do Palácio Ratton.

O ex-presidente da Câmara de Cascais deixou claro que não pode pactuar com políticas que tratam aquelas que trabalharam toda a vida como descartáveis quando chegam à idade da reforma.

De uma coisa o antigo conselheiro tem a certeza: seja qual for a forma que assuma – aumento de impostos ou corte nas pensões - para as pessoas é o mesmo: passam a ter menos rendimento disponível.

O antigo dirigente do PSD considera que há formas de conseguir mais receitas sem penalizar os salários e pensões. A tributação em sede de IRS seria uma boa alternativa, acrescenta Capucho, porque todos pagariam consoante os seus rendimentos.

 

fonte:http://rr.sapo.pt/i

publicado por adm às 01:10 | comentar | favorito