Reforma aos 66 anos

Os portugueses que se reformarem, com 65 anos, no próximo ano vão ter um corte no valor mensal da reforma de 4,78 por cento. Numa pensão de 500 euros são menos 23,9 euros por mês. Para evitar esta penalização terá de se trabalhar mais 5 a 15 meses para lá dos 65 anos, dependendo da carreira contributiva. Isto significa, na prática, que a idade de reforma sobe, nalguns casos, para os 66 anos e três meses.


Em 2013, para não sofrer um corte, quem tiver 65 anos e uma carreira de descontos completa, com 40 ou mais anos, tem de trabalhar mais cinco meses. Quem tiver uma carreira de 35 a 39 anos terá de trabalhar mais oito meses. Para uma carreira de 25 a 34 anos terá de trabalhar mais dez meses. E, por fim, para uma carreira contributiva mais curta, de 15 a 24 anos, é necessário trabalhar mais 15 meses.

O prolongamento da idade da reforma resulta do chamado factor de sustentabilidade. Com a Segurança Social a registar cada vez menos recursos financeiros e os portugueses a viverem mais tempo, todos os anos se aplica uma redução no valor das novas reformas em função da esperança média de vida calculada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que tem vindo a crescer. Os dados provisórios, ontem publicados, apontam que os portugueses vivem, em média, mais 18,84 anos depois dos 65: até aos 84 anos. Este mecanismo aplica-se tanto à Segurança Social como aos funcionários públicos que entram para a Caixa Geral de Aposentações.

O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social garante que o factor de sustentabilidade "só incide sobre as novas pensões, não tendo qualquer impacto nas pensões já atribuídas", ou seja, não tem efeitos retroactivos no caso de quem já recebe a reforma. Isto porque o INE reviu alguns dos seus cálculos anteriores.

Quem entrar para a reforma mesmo que trabalhe mais tempo depois dos 65 anos não conseguirá escapar, contudo, a todos os cortes. Todas as pensões no próximo ano vão sofrer um corte entre os 3,5 e 40 por cento a partir dos 1350 euros. A medida vai afectar 380 mil pensionistas e reformados e permitirá um encaixe de 450 milhões de euros aos cofres do Estado.

BANCÁRIOS NÃO PREJUDICAM AS CONTAS

As pensões dos bancários não contribuem para o défice da Segurança Social. Como explicou ao CM o presidente da FEBASE - Federação do Sector Financeiro, "os fundos de pensões dos bancários não foram integrados na Segurança Social, servindo esta apenas de veículo", estando garantidos os 14 meses.

Rui Riso recorda ainda que os seis mil milhões de euros dos fundos de pensões da Banca serviram para equilibrar o défice das contas públicas em 2011.

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/n


publicado por adm às 19:35 | comentar | favorito